
..."os tralfamadorianos viajaram até aos confins do universo e só na Terra se fala de livre-arbítrio"...
Slaughterhouse 5 or the children’s crusade” - de Kurt Vonnegut Jr.
Assistindo programa do Lobão na MTV debatendo a
maconha, um especialista da área comentou de pesquisa australiana, mostrando que
10% do usuário médio desde os 15 anos, estatisticamente
terá problemas psicóticos no futuro, o que é considerado um número altíssimo, além de potencialmente ser mais perigoso pros pulmões do que o tabaco. Ele também comentou sobre a discussão da liberalização, dizendo que ela já existe
tacitamente. Moro num lugar (num mundinho particular) em que a droga não está tão perto. Tempos atrás ia numa cidade em que isso era banalizado, gente usando quase que abertamente, e as outras pessoas acatando levianemente, futilmente, como "anormal" não ser assim. Mesmo aqui na internet, a aceitação das drogas (as liberadas - alcool e cigarro, tem até nos perfis de relacionamento, beber "socialmente" é alardeado por todos) é
tácita.
A idéia
quase geral de que os seres humanos têm livre-arbítrio, é assim:
- tudo o que acontece, incluindo todas as escolhas e ações humanas (grifo meu), é determinado ou causado por acontecimentos ou circunstâncias anteriores;
- que se as nossas ações e escolhas são determinadas, não são livres;
- que não somos moralmente responsáveis por ações ou escolhas que não são livres.
Uma outra corrente de pensamento resolve o problema negando que tenhamos livre-arbítrio, concluindo que de fato não somos moralmente responsáveis pelas nossas ações ou escolhas. Dizem isso porque estão convencidos de que o determinismo é verdadeiro e o livre-arbítrio é então uma ilusão.
Assim, chamam a atenção pra experiências e crenças comuns que parecem implicar que:
- as coisas se comportam de uma forma regular ( o baseado que se fuma não faz as coisas serem doces num dia e amargas no dia seguinte),
- para o comportamento humano diário (pilotos de corrida podem escolher dirigir bem fumando um baseado ?),
- e também pro sucesso da ciência na descoberta de relações causais (não podemos escolher bater os braços e sair voando pra Lua, depois do baseado, apesar das tentativas).
E se livre-arbítrio for possível apenas nas situações morais típicas?
Esse ponto de vista permite considerar as pessoas moralmente responsáveis pelas suas ações , sentindo "livres" quando fazem escolhas morais.
A concepção pertinente de liberdade da vontade é que somos livres quando escolhemos e fazemos o que queremos fazer e não somos forçados ou compelidos contra a nossa vontade.
Mas ai existe dois tipos de compulsão ― interna (pessoal) e externa (sociedade) ― conforme a força compulsória, pode ser interior ou exterior.
Ora, quando temos de decidir na vida diária se as pessoas devem ser consideradas responsáveis pelo baseado que fumaram, não perguntamos se as nossas ações são causadas mas antes se são ou não compelidas ou forçadas.
Quando as pessoas fazem o que querem fazer, sentimos que são moralmente responsáveis pelo que fazem?