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sábado, 20 de fevereiro de 2010

escaldados e tendendo pra solidão?

Ainda existe mulher que sonha com um príncipe num cavalo branco.
Ainda tem homem sonhador tb, mas é mais simplório, tadinho. Quanto muito uma mulher madura, virgem e bonita.

Com tempo ( e as decepções vindas ) temos tendência a criar preconceitos. Enxergar no outro o jeito dele não deve ser tarefa fácil. Nosso olhar só vê o que quer ver.

O defeito nem sempre tá no outro, mas nessa impressão superficial, contaminada por idéias errôneas acerca da perfeição que ainda procuraríamos. Até estamos cercados por pessoas legais, mas por sermos muito exigentes, só conseguimos enxergar aquilo que elas não são.

Nessas procuras virtuais, por quê que as pessoas "enxergam" mais os defeitos das outras pessoas, deixando as qualidades em plano menor?
Por quê julgamos virtualmente os outros sem ao menos conhecê-los pessoalmente, né?

terça-feira, 30 de outubro de 2007

baforadas de orégano


..."os tralfamadorianos viajaram até aos confins do universo e só na Terra se fala de livre-arbítrio"...
Slaughterhouse 5 or the children’s crusade” - de Kurt Vonnegut Jr.

Assistindo programa do Lobão na MTV debatendo a maconha, um especialista da área comentou de pesquisa australiana, mostrando que 10% do usuário médio desde os 15 anos, estatisticamente terá problemas psicóticos no futuro, o que é considerado um número altíssimo, além de potencialmente ser mais perigoso pros pulmões do que o tabaco. Ele também comentou sobre a discussão da liberalização, dizendo que ela já existe tacitamente. Moro num lugar (num mundinho particular) em que a droga não está tão perto. Tempos atrás ia numa cidade em que isso era banalizado, gente usando quase que abertamente, e as outras pessoas acatando levianemente, futilmente, como "anormal" não ser assim. Mesmo aqui na internet, a aceitação das drogas (as liberadas - alcool e cigarro, tem até nos perfis de relacionamento, beber "socialmente" é alardeado por todos) é tácita.
A idéia quase geral de que os seres humanos têm livre-arbítrio, é assim:
- tudo o que acontece, incluindo todas as escolhas e ações humanas (grifo meu), é determinado ou causado por acontecimentos ou circunstâncias anteriores;
- que se as nossas ações e escolhas são determinadas, não são livres;
- que não somos moralmente responsáveis por ações ou escolhas que não são livres.
Uma outra corrente de pensamento resolve o problema negando que tenhamos livre-arbítrio, concluindo que de fato não somos moralmente responsáveis pelas nossas ações ou escolhas. Dizem isso porque estão convencidos de que o determinismo é verdadeiro e o livre-arbítrio é então uma ilusão.
Assim, chamam a atenção pra experiências e crenças comuns que parecem implicar que:
- as coisas se comportam de uma forma regular ( o baseado que se fuma não faz as coisas serem doces num dia e amargas no dia seguinte),
- para o comportamento humano diário (pilotos de corrida podem escolher dirigir bem fumando um baseado ?),
- e também pro sucesso da ciência na descoberta de relações causais (não podemos escolher bater os braços e sair voando pra Lua, depois do baseado, apesar das tentativas).
E se livre-arbítrio for possível apenas nas situações morais típicas?
Esse ponto de vista permite considerar as pessoas moralmente responsáveis pelas suas ações , sentindo "livres" quando fazem escolhas morais.
A concepção pertinente de liberdade da vontade é que somos livres quando escolhemos e fazemos o que queremos fazer e não somos forçados ou compelidos contra a nossa vontade.
Mas ai existe dois tipos de compulsão ― interna (pessoal) e externa (sociedade) ― conforme a força compulsória, pode ser interior ou exterior.
Ora, quando temos de decidir na vida diária se as pessoas devem ser consideradas responsáveis pelo baseado que fumaram, não perguntamos se as nossas ações são causadas mas antes se são ou não compelidas ou forçadas.
Quando as pessoas fazem o que querem fazer, sentimos que são moralmente responsáveis pelo que fazem?

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

"incompatíveis" traduções

trechinho do Dylan e as minhas insônias
É sensação impaciente , não é bom pra ninguém
O que eu disser pode ser retrucado diferente também
Correto do seu lado, e eu do meu
Atrasos enormes e noites mal dormidas

terça-feira, 2 de outubro de 2007

só tênis falseta é o ruim da estória?


(texto do site mídia independente)
Como funciona a maior fabricante de tênis do mundo ?
A Nike procura baixar custos de produção utilizando mão-de-obra barata de qualquer lugar do planeta, além de buscar outras vantagens, como pouco rigor na proteção ambiental, condição tributária favorável, isenção de impostos etc.
Ela concebe os modelos de seus tênis nos EUA, onde conta com apenas 500 empregados, encaminha os modelos pra Taiwan, onde são fabricados os protótipos e, finalmente, os produtos finais, fabricados a partir dos protótipos são produzidos no país da Ásia onde os salários estejam mais baixos.
A poderosa não chegaria a ser classificada como empresa de grande porte nem no Brasil. A rede de produção a ela associada chega a 90 mil pessoas espalhadas pelo mundo todo. Sua busca constante por condições tributárias favoráveis em outros países também não se encaixa no papel de empresa que se preocupa muito com o politicamente correto.
E como ganha tanto dinheiro? Ela vende por preços que oscilam entre 70 e 130 dólares um par de tênis cujo custo físico de produção é da ordem de 10 dólares. Perguntados como conseguiam vender a 100 dólares um produto de menos de 10 dólares, a Nike, que apenas coordena o ciclo econômico, e não produz tênis nenhum, respondeu simplesmente: Não vendemos tênis, vendemos emoções.
A Nike gasta fortunas com publicidade, o que permite associar o tênis produzido por jovens mal pagas na Ásia, com os poderosos músculos de atletas famosos. A identidade criada, de poder e sucesso, permite que outros jovens pelo planeta afora gastem 100 dólares pra partilharem do sentimento, da identidade.
Fábricas no Vietnã, subcontratadas pra produzir os tênis Nike, submetem os trabalhadores a jornadas de 65 horas de trabalho por semana. Os trabalhadores operam nesse regime pra poder atingir metas absurdamente elevadas de produção e ainda ficam sujeitos à exposição a substâncias carcinogênicas acima dos limites toleráveis, salários abaixo do necessário para a subsistência, castigos corporais, abusos sexuais e condições desumanas de trabalho.
A Nike paga milhões de dólares pra atletas divulgarem seu nome, mas a indústria que produz o seu tênis paga menos de 1 dólar por dia de trabalho.
Como se vê, a hipócrita Nike não está preocupada com nada, além do seu lucro.

www.saigon.com/~nike/

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

férias de 1995, praia Pitangueiras

Estava com família no Guarujá, início daquele ano.
Fui andar com minha esposa na praia. Filhos eram pequenos, e ficaram com minha mãe na tenda.
Caminhávamos e conversávamos sobre as pessoas ali, reparando cada trejeito,cada "rebolada", corpos, coisas assim que um casal faz, contando abóbrinhas.
Pouco na frente, comentei com ela sobre bonita mulher andando de costas pra gente, sózinha. Essa mulher, por força do destino, era de nossa cidade. Ao alcançá-la, começamos a conversar. Foi fulminante pra mim.
Dia passou, e num outro final de tarde, com todo mundo cansado no apartamento, resolvo ir caminhar sozinho. Encontrei-a na praia novamente, e nada foi premeditado. Predestinado.
Talvez tenha sido o dia mais bonito da minha vida. Andamos a orla toda, conversamos muito. Ao final da caminhada, entramos na água, era uma espécie de remanso. Não a toquei,apenas nos olhamos fixamente. Sabia que foi um momento especial.
Foi das vezes que me senti mais terno. Já me ocorreram outras situações parecidas, e em todas, quando tive de fazer opção pela emoção, acabei machucado lá na frente.
Não quero negar um sentimento bom, mas queria não ter mais a vinculação disso com o sofrer demais, no meu presente e no meu futuro.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

breve esclarecimento


Montei tempos atrás uma pequena comunidade no Orkut, que aliás teve sua origem em outro site de relacionamentos, e que hoje nem existe.

Infelizmente, e por minha culpa, aquilo ficou personalista e fechado demais, tanto que fui alertado algumas vezes por amigos. Talvez também o restrito número de participantes comprometeu, nem sei.

Ganhei uma incerta "marca ruim", rs.., e por desdobramentos desagadáveis fora do virtual com pessoas na época mais íntimas, fiquei em posição incômoda.

Se errei nas posturas agressivas, a própria falência do que criei já deu seu castigo: a decepção.

Mas não levo essa experiência virtual como uma aventura, não como as aventuras reais que tive em meu passado recente - e por isso guardo com carinho solitário a lembrança de um período que foi bom.